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Presidente ‘memético’

Presidente ‘memético’

Globalização já é um termo que já faz parte de nosso conhecimento, as tecnologias de informação encurtaram absurdamente distâncias em um intervalo de tempo muito pequeno tornando o indivíduo um cidadão do mundo com o advento do ‘mobile’ rompendo barreiras geográficas e colocando todo o conhecimento e informação na palma de sua mão de qualquer ser humano neste planeta. Os reflexos da globalização em nível de revoluções sociais, econômicas e políticas ainda não haviam despertado o interesse e o respeito devido pelos detentores de poder em toda a sua magnitude. As evidências que quê o impacto dessas tecnologias é avassalador, foram levemente perceptíveis em eventos históricos recentes como a Primavera Árabe, com ditaduras caindo como moscas na presença de um inseticida no oriente médio e mais recentemente na eleição do outrora fanfarrão, desacreditado e aventureiro Donald Trump, em presidente dos Estados Unidos da América, quebrando todos os prognósticos e previsões contrárias de especialistas, gurus e videntes de plantão. Aqui no Brasil, sentimos um pequeno reflexo do poder da tecnologia de informação nas eleições de 2014 com os “disparos” de mensagens via SMS aterrorizando eleitores humildes com a possibilidade do findar de programas sociais caso o candidato da oposição vencesse o pleito eleitoral. Mas a disseminação e ascensão de comunicadores instantâneos multimídias elevou a globalização para um outro patamar e os efeitos destas tecnologias na capacidade de mobilização das massas em um curto espaço de tempo desnorteia qualquer sociólogo em suas lógicas já conhecidas e estabelecidas. Em 2014, em tom de brincadeira, em roda de amigos, mas com um ponto de vista de historiador e insanamente profético, disparei “O próximo presidente do Brasil será um presidente ‘memético’ “ Ao que um amigo se opôs e disse que isso seria um absurdo pois a própria palavra ‘memético’ nem existia, ledo engano de meu interlocutor, pois a Memética teve sua existência após o livro de Richard Dawkins em 1976, intitulado O Gene Egoísta onde criou-se a controversa sociobiologia com o seu discutível determinismo genético. Recentemente, a palavra MEME foi apropriada a um contexto de expressões de comunicação com conteúdo efêmeros, e as vezes de gosto duvidoso, mas com a viés humorística bem realçada, torna-se um elemento proeminente na ‘cultura do espalhável’, isto é, viralizando rapidamente e sendo viral, o receptor se identificando, retransmite aos seus pares, criando como no processo sociobiológico, uma verdadeira epidemia. No Brasil os memes possuem terreno fértil para sua proliferação. Somos conhecidos pela nossa braslilidade, que resumindo e sem os tradicionais e ridículos ufanismos, trata-se da nossa capacidade ilimitada de fazer humor com a nossa própria desgraça e tudo vira motivo de piada, galhofa e deboche, inclusive quando a discussão requer extrema seriedade, como é o caso das eleições. Como Bolsonaro virou o ‘mito’? –> Memes! Tudo começou em 2012, na época notava-se a presença frequente do hoje candidato Jair Bolsonaro em programas populares na televisão (SuperPop, CQC, Ratinho e Pânico) polemizando e debatendo com indivíduos desqualificados e sem critérios, cujo principal objetivo era tirar de sua boca seus populares chavões lacradores e seus argumentos belicosos contra grupos sociais minoritários que buscavam afirmação e respaldo jurídico e na sequência estouravam “meme’s”, produzidos por quem se identificavam com sua opinião em verdadeiras infestações nas redes sociais. O curioso foi que sua demasiada exposição em meios tradicionais de comunicação não foi o motor deste fenômeno e sim os reflexos de suas aparições na TV em novos meios, como comunicadores instantâneos, serviços de compartilhamento de vídeos e redes sociais. Bolsonaro nadou em um mar de brisas no governo do PT, surfou na onda do ‘Quanto pior, melhor’ e o PT criando a atmosfera ideal para sua verborragia, sendo assim, não é exagero afirmar que o PT criou Bolsonaro. A cada factoide que o PT gerava em uma dinâmica muito veloz virava munição na mão do Bolsonaro e seu exército de fiéis seguidores que crescia em progressão geométrica diante dos descalabros petistas. Os conservadores e em sua grande parte, a classe média, que dentro da atmosfera ‘lulopetista’ estavam sob uma amarga e modorrenta letargia logo encontraram em Bolsonaro um sonoro e espalhafatoso motivo para despertar de seu torpor. Para um povo que vive de esperança e ilusões o ‘mito’ nos memes era o super-herói aguardado e esperado: Ficha-limpa, revida a ataques na mesma intensidade, vocifera, bate-boca, esperneia e ‘dá de dedo’, enquanto a maioria dos políticos não tinha a coragem de expor sua opinião com medo de soar “politicamente incorreto” e sofrer com a patrulha de lacradores socialistas, Bolsonaro era o perfil da coragem que faltava em seus pares. A Covardia tradicional da classe política criou Bolsonaro. Os desmandos e incompetência petistas inflaram Bolsonaro. A corrupção desenfreada e o crescente temor da obsoleta e tacanha retórica socialista catapultaram ele pra Brasília e se tornará o primeiro ‘presidente memético’ de nossa história e fato esse, vindo do Brasil, é difícil soar estranho para a comunidade internacional, pois nossa história é recheada de bizarrices, fatos medonhos e sandices que o adjetivo surreal para o nosso cotidiano político é deveras lisonjeiro com a nossa realidade.

Milton Friedman
Carlota Joaquina

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