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Lean Development

Lean Development
A Mentalidade Enxuta Aplicada ao Fluxo de Desenvolvimento de Produto



Imagine uma empresa no decorrer de sua jornada Lean: realizando inúmeros kaizens na manufatura, eliminando os desperdícios, melhorando fluxos e qualidade, reorganizando layout, nivelando a produção, etc. Contudo, à medida que a maturidade Lean vai sendo alcançada na manufatura, os reflexos dos problemas de outras áreas tornam-se mais expressivos.
 
Uma área que possui forte ligação com a manufatura é a Engenharia, ou Desenvolvimento de Produto. É comum encontrarmos situações em que novos produtos são desenvolvidos sem a devida atenção ao processo de manufatura. A falta de padronização de componentes e a baixa intercambiabilidade de dispositivos têm resultado em uma série de desperdícios.
 
Pensando nisso, o Lean Development vem sendo exaustivamente discutido sob a perspectiva do projeto do produto. Ferramentas como Design for Manufacturing e o 3P (Production Preparation Process) são utilizadas para desenvolver, junto ao produto, processos de produção que incorporem práticas Lean, tais como fluxo contínuo e unitário de peças, troca rápida de ferramentas, qualidade integrada, etc.
 
Por outro lado, outra perspectiva importante é a do fluxo do desenvolvimento. Em nossos trabalhos, temos encontrado, neste fluxo, uma série de problemas tais como: retrabalho de projetos, etapas do processo negligenciadas, baixa completude e acurácia das informações, desnivelamento e sobrecarga do trabalho, etc. Conseqüentemente, muitas vezes, o que acaba sendo lançado no mercado é um protótipo, e não um produto devidamente desenvolvido com qualidade assegurada.
 
Esses problemas presentes no fluxo de desenvolvimento podem ser classificados dentro de 8 categorias de desperdícios, citadas e exemplificadas na tabela a seguir:
 
DESPERDÍCIO -> EXEMPLOS
 
Superprodução -> Projetar elementos que não serão usados imediatamente; incluir características no projeto que não agregam valor para o cliente
 
Espera -> Aprovação de superiores; aprovação de clientes; resposta do sistema; sincronização com outros elementos do projeto
 
Transporte -> Informação via e-mail; distribuição de relatórios; circulação de papéis para assinar; transferência de uma estação para outra
 
Processamento -> Duplicação de dados; cópias extras; conversão de documentos que necessitem de formatos diferentes entre o fornecedor e cliente; reprojetar algo já projetado
 
Estoque -> Caixas cheias de papéis; transporte em lotes; liberação de grandes projetos apenas quando completo; reter documentos além do necessário
 
Movimentação -> Idas para: impressora, fax, depósito central, encontros e reuniões
 
Retrabalho -> Erros de projetos; falhas de serviços (execução dos projetos); baixa acurácia e completude das informações; não há o completo atendimento das necessidades do cliente
 
Subutilização da mão de obra -> Limitação de autoridade e responsabilidade para questões básicas; compartilhamento limitado de conhecimento; não envolvimento da manufatura e fornecedores no início do desenvolvimento do produto
 
O primeiro passo para combater esses desperdícios é a mudança do paradigma de que o processo de desenvolvimento é de responsabilidade apenas da área de Desenvolvimento de Produto. Ele é um processo inter-funcional. Portanto, é fundamental que todas as áreas presentes no fluxo sejam envolvidas em um processo de Desenvolvimento de Produto Enxuto.
 
Também, é importante criar um sistema de programação que contemple todo o fluxo de desenvolvimento de forma horizontal e não vertical (setorizada) e, além disso, implementar fluxo contínuo por meio de equipes de caso, que são constituídas por pessoas com diferentes habilidades para realizar, conjuntamente, um trabalho completo.
 
Em muitos casos, quando o Lead Time de desenvolvimento de produto é relativamente curto, muitas empresas têm encontrado dificuldade em implementar a figura do engenheiro chefe, responsável pelo gerenciamento do fluxo horizontal. Contudo, a figura de um colaborador follow-up que acompanhe todo o fluxo é imprescindível. As questões de conflitos de poderes entre a estrutura horizontal e a vertical devem ser previamente trabalhadas.
 
Portanto, no Lean Development, é necessário trabalhar tanto a perspectiva do projeto do produto quanto do fluxo de desenvolvimento. É preciso criar um ciclo virtuoso de eliminação de desperdícios para que todos os envolvidos no fluxo consigam trabalhar nas atividades que, de fato, agregam valor. Assim, será alcançado um ciclo de desenvolvimento cada vez mais rápido e enxuto.
 
Autores: Gustavo Rasteiro, Consultor Hominiss
 
Ricardo R. Nazareno, Consultor Hominiss
 
Thiago F. Silva, Consultor Hominiss
 
Colaboração para Publicação: Vilson J. Retcheski - São Bento do Sul - SC
O Chefe
PNDH - Piada Nacional