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Ética e proselitismo na educação

Ética e proselitismo na educação

Fiz uma pausa sabática em minhas escritas por 2 meses como forma de lapidar e equilibrar meus pensamentos, mas a coceira foi mais forte e aqui estou eu gastando uns minutinhos de vida para registrar uns pensamentos e hoje vou mexer em uma ferida que ninguém gosta de falar, mas convivemos com isso corriqueiramente na educação. As disciplinas da área de humanas tem um papel fundamental na formação de nossos cidadãos, pois delas virá a consciência política e noções de deveres e direitos para exercer plenamente a sua cidadania além da visão crítica que modificará realidades e nos trará novos horizontes em busca do bem comum. Também sabe-se que a imparcialidade política de um professor ao abordar alguns temas controversos em sala de aula é um objetivo ético de um bom professor (nós em História por exemplo, seguimos ensinamentos de imparcialidade do grande historiador Edward Carr como norteador nossas práticas didáticas). Embora saibamos que isto nem sempre ocorre, pois cansei de escutar conversas de alunos sobre a ideologia política do professor sobrepujar está imparcialidade requerida no assunto e intervir no debate de forma contumaz e deixando a mediação de lado e partindo para a simples imposição de pensamento, ora liberal, neoliberal, anarquista ou socialista truncando ou impedindo o debate de ideias pela monopolização centrada em apenas um ponto de vista político. Está ação de tentar converter pessoas em prol de determinada causa, doutrina, ideologia ou religião, formalmente chamado de proselitismo, embora não seja um crime dentro de nosso código civil ou mesmo sem menção dentro do código penal é praticado por pessoas que nada tem de democráticas ou dignas de exercer a docência. A luta política entre direita e esquerda exemplifica bem isso, se de um lado temos professores com ideologia socialista vociferando contra os males do capitalismo, da luta de classes e ainda pregando que a ditadura do proletariado, mesmo com todos os desastres de tentativas de implantação em diversos paises, ainda é um caminho viável, por outro lado temos professores neoliberais, cheios de impáfia pregando os êxitos econômicos do capitalismo e que não existe alternativa ao pensamento neoliberal e a ele estamos condicionados e em ambos os dois ambiente de aulas exemplificados a imposição de uma ideia por parte do docente inibe qualquer debate prolífico. Sempre fui favorável a criação de uma espécie de corregedoria dentro da educação para se apurar e punir práticas nada educativas e a utilização da educação como instrumento político, pois assim como em todas as profissões nela também existem péssimos profissionais e que possuem um poder com consequências marcantes para o bem ou mal, pois um professor pode inspirar ou destruir mentes jovens. Testemunhei em minha vida casos de péssimos profissionais que se aposentaram e traumatizaram gerações com seus arremedos de aula pautadas em absurdos autoritários e nada edificantes. Também percebo a falta de coragem e a própria desorganização dos professores em suas lutas. Uma classe que acredita que pode galgar maior respeito na sociedade e se abraça apenas a causa sindical com engajamento político-partidário e cheio de ranços também não levará a nada. O corporativismo profissional, as vezes necessário e na classe educacional é nulo, dado o esvaziamento em movimentos de lutas por leis e melhores condições e sem entrar em discussões salariais ligadas a sindicatos. Defendo a organização, em conselhos de profissionais da educação que de forma corporativa e coesa não levantem só a bandeira do salário, mas sim da ética entre os seus pares e lute por leis de amparo e com grande poder de barganha política e respeito como outras organizações profissionais como o CREA, CRM e OAB. Um conselho de ética interno em uma organização de profissionais da educação já barraria o proselitismo e demais práticas expúrias dentro da docência. Na falta desta organização entre os profissionais da educação, políticos oportunistas aproveitam este vácuo. É o caso do PL 1411/2015 do deputado federal Rogério Marinho do PSDB/RN que torna crime o proselitismo, que neste projeto de lei ele chama de “Assédio Ideológico”. Embora tenhamos uma sociedade com divesos acessos a canais de informação, onde o proselitismo é algo inexato, este projeto é de tamanha estupidez, pois um assunto que deveria ser tratado como falta de ética profissional entra em um patamar de escala criminal, mas não dá pra negar que o mesmo ocorre e hipócrita será quem dizer em contrário!. Blindar a educação de ingerências políticas ideológicas ou quaisquer outra intervenção que vá contra a difusão de conhecimento e o incentivo ao livre pensar e desenvolvimento de espirito crítico e criativo é um trabalho muito difícil, mas não impossível. A mudança constitucional que possibilita eleições dos cargos de direção escolar, que hoje é uma prerrogativa do executivo via nomeações de indicados com ligações político-partidárias deveria ser uma bela pauta de um nobre deputado ao invés de criar mais uma lei de propósitos mesquinhos, pois acredito que o deputado que propôs está lei, acredita que nas escolas só tenham esquerdopatas doutrinando jovens a serem futuros Ches’s Guevara e nada de neoliberais com a cartilha de Keynes em mãos...acorde excelência!

Analfabetos funcionais e leitores disfuncionais, e...
Castóreo

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