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Ah, a educação...

Ah, a educação...

Hoje mais que uma história, é uma espécie de desabafo profissional que quero compartilhar, pois acredito que este sentimento não é singular e pode encontrar eco na sociedade. Trabalhar na educação pra mim é um prazer o qual eu não quero jamais abrir mão, mas tem dias que por mais sólidos que sejam meus princípios surge a pergunta indesejável em meus pensamentos: Está valendo a pena? A resposta que sempre me dou para continuar motivado é a paráfrase do poeta “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”...isso alivia o sentimento de desperdício de tempo e esforço inútil que sinto. Entrar em uma sala de aula em uma comunidade carente, com um plano de aula extremamente proveitoso e recheado de repasses de conhecimento além da interação e se deparar com uma turma onde a maioria é composta de alunos preguiçosos e onde a insolência sobra no espaço e a falta de respeito para com os colegas e professor é corriqueira, assim sendo o sentimento de desperdício de tempo é inevitável. Aqui onde entra a história e talvez nela esteja algumas respostas para o motivo desta geração não entender que a oportunidade que o estado brasileiro proporciona a eles é algo que a minha geração possui até um sentimento de inveja boa, pois as privações que passamos e a luta hercúlea para conseguir obter o que esta geração possui com extrema facilidade e não valoriza é extremamente desnorteador. Em 1997, durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, teve inicio o programa “Toda Criança na escola”, era algo desafiador pois existia uma quantidade enorme de crianças marginalizadas fora do sistema educacional formal e criou-se a rede de suporte com os conselhos tutelares mobilizados e onde o Estatuto da criança e do Adolescente de fato começou a valer no que diz respeito ao acesso e manutenção das crianças dentro do sistema de ensino do estado. Conseguimos colocar todas as crianças na escola. Infelizmente isso não basta. Hoje calcula-se que ainda tenhamos aproximadamente cerca de 1 milhão de crianças fora do sistema educacional, mas que os esforços do estado em punir estes pais dentro da legislação ainda não cessaram. A proibição do trabalho infantil também surtiu efeitos. Todos os números de avanços na proteção destas crianças e adolescente eram motivos para estarmos comemorando. E por que não estamos? Porque estamos criando uma geração que desconhece o valor do TRABALHO, que não conhece limites impostos pelo NÃO e que não sabem a dor da PRIVAÇÃO, pois tem tudo mas ao mesmo tempo não tem nada pois não possuem perspectivas alguma e com um sistema educacional que não é pautado dentro do moralmente correto e sim dentro do politicamente correto e que está abominando a meritocracia como forma reconhecer os esforços e as vontades individuais de quem ainda tenta sobreviver nesta estrutura podre, então parabéns sociedade! Concebemos a primeira geração de falsos estudantes que estarão com seu ensino fundamental concluído e que serão perfeitos analfabetos funcionais. Quando falo em falsos estudantes, digo isso, por que noto que a grande maioria é apenas ALUNO, isto é, só assiste aula, de forma coletiva e a parte do ESTUDANTE, que é solitária e requer esforço e força de vontade individual, não existe. A escola até esforça-se, mas às vezes é necessário castigar certos “pais” para salvar seus filhos. Pais frouxos, dissimulados e irresponsáveis que não ensinam valores do trabalho, honestidade e respeito para seus filhos tem ter penas severas, pois considero estas atitudes omissas de seus deveres sociais um crime inafiançável e digno de punição de forma pública e brutal (considero que chicoteamento com rabo de tatu seria uma boa. Para finalizar este texto ácido e bem opinativo vou buscar na história um trecho sobre o trabalho infantil em plena revolução industrial, meu objetivo com isto é mostrar o quanto avançamos em nosso tempo e não somos nem sombra do que já fomos em nosso passado. Trata-se de um depoimento do menino Jonathan Downe, feito ao Comitê Parlamentar sobre o Trabalho Infantil da Inglaterra em 6 de Junho de 1832: “Quando eu tinha sete anos fui trabalhar na fábrica do Sr. Marshalls na cidade de Shrewsburry. Se uma criança estava sonolenta, o inspetor tocava no ombro da criança e dizia: ‘venha aqui'. Em um canto do quarto havia uma cisterna cheia de água. Ele levava o menino pelas pernas e imergia na cisterna. Depois do banho, ele mandava a criança de volta para o trabalho”...pensem, o menino tinha apenas sete anos e tem preguiçoso barbado que se nega a ajudar em tarefinhas domésticas e os pais acham este preguiçoso o máximo...pois é...quem planta omissão colhe tirania. (Na foto que ilustra este post, temos um grupo de meninos que trabalhavam em uma mina de carvão no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos em 1911)

A grilagem de terras
Tancredo "Never"