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A guerra em que todos perdemos

A guerra em que todos perdemos

Quando criança, mais precisamente, com 10 anos de idade, eu li um livro maravilhoso, do escritor austríaco Stefan Zweig, chamado “Brasil, país do futuro”. Meu pai não era amante dos livros, e ele junto com minha mãe, se dedicavam intensamente ao comércio, onde cada um exercia uma atividade comercial distinta em tempo integral. No local de um dos estabelecimentos comerciais, eu encontrei um tesouro no sotão, tratava-se de livros antigo, empoeirados que pertenceram ao político mais importante da cidade onde eu morava, Sr. Otacílio Granzotto. Entre as relíquias encontradas, estava este maravilhoso livro: “Brasil, país do futuro” datado de 1941. A visão de Zweig, trava-se de algo único, de alguém nostálgico com um ideal europeu muito forte de suas vivências do século XIX e também do que a Europa se transformou no ínicio do século XX, sendo ele uma das vítimas dos governos autoritários e estando exilado na América, por sua descendência judia não ser bem vinda naquele momento na Áustria, local onde nasceu.  O livro estava longe de ser ufanista, isto é, nem chegava perto de baboseiras e exageros perniciosos e míopes, como o publicado pelo conde Afonso Celso em 1900 em sua infeliz obra “Por que ufano de meu país”, de onde originou o termo ufanismo e por ser uma obra alinhada com os objetivos positivistas republicanos do estado brasileiro, tornou-se leitura obrigatória por 50 anos nas escolas ( o que causou muitos estragos, assunto que abordarei em um próximo artigo). O livro de Zweig era diferente, uma visão esclarecida e ao mesmo tempo um prognóstico viável de um país de riquezas únicas e de um povo singular, comparado com as demais sociedades que habitam este planeta. Mais tarde, quando tinha 12 anos e já morando em São Bento do Sul, entrei em contato com o livro do economista Mário Henrique Simonsen, intitulado “Brasil 2001”, publicado em 1975, com uma receita fantástica e factível de fazer a profecia de Zweig tornar-se realidade. Ambas as obras marcaram muito minha vida e minha visão política-econômica e social.  

Fui filiado ao PSDB, acreditei mais tarde, já adulto, no liberalismo, quando mesclado com práticas sociais democráticas voltadas a educação e as influências que ganhei ao tomar conhecimento do chamado Capitalismo Natural, uma prática viável para o tão almejado  desenvolvimento sustentável, era o partido que mais chegava próximo ideológicamente ao meu pensamento político e após descobrir que o discurso socialista, embora libertador, seria pra mim e utilizando uma máxima no Nelson Rodrigues: "Bonitinho, mas ordinário". Sai do PSDB e os motivos é a obviedade, estava enganado. O partido abraçou o assitencialismo barato, renegou a prática liberal, não valorizou o legado liberal e de coerência fiscal dos governos de FHC e o crucial em minha decisão foi quando eu percebi que o partido era fraco! Uma oposição “Bunda Mole”, que primeiramente não soube fiscalizar de forma dura e coerente e por consequencia deixou o PT estragar toda a estabilidade econômica e austeridade fiscal que tinhamos lutado a duras penas para obter.  Mas o que realmente me deixava angustiado, era o ódio indigesto que alimenta as relações entre o PT e o PSDB. Na última eleição, em 2014, já fora dos quadros do PSDB,  fiquei entristecido com a morte de Eduardo Campos, mesmo não concordando com a ideologia de seu partido, era uma terceira via menos dolorosa, ele poderia unir ambos os lados e gerar um governo de coalizão. Os críticos podem até dizer que era apenas um oportunista, pois o seu rompimento com o PT era de um mau caratismo sem tamanho, típico de alguém que “cospiu no prato em que comeu”. A alternativa Dilma era a busca sem escrúpulos pela continuidade de poder, e simplesmente isso, continuidade sem rumo e sem propósito era de uma idiotice sem tamanho e eis no que deu. Aécio é e sempre será um playboy sem ideias claras, com um carisma artificial e presunçoso, nada compatível com um verdadeiro estadista e o pior, dono de um discurso dúbio, que só conseguiria obter êxito em seu governo se utilizasse os quadros do partido, cheios de tecnocratas vaidosos, mas sem a visão ideológica de um sonho de convergência onde separe estado de práticas estatais a longo prazo de quesitos sociais eleitoreiros e o pior, um partido que tornou-se autofágico, comandado por caciques rancorosos e incapazes de controlar suas vaidades em prol de um bem comum. Marina Silva? Nossa...sem experiência alguma e com um discurso “água-com-açúcar” difícil de engolir, embora alguns tolos sempre engolem...

Já fui socialista quando jovem, até  descobrir que papai noel não existe, ou melhor, que não existe almoço grátis. O PT pra mim, representeou por anos um sonho e sinônimo de ética, mas eis no que virou,  quando o mesmo adquiriu o poder, o PT traiu seus próprios princípios para permanecer no poder. Hoje a cúpula toda do partido deveria estar presa e pedir desculpas pelo desserviço que prestaram ao estado e aos milhões iludidos com o discurso mentiroso e demagogo. A última eleição presidencial foi sim um inegável estelionato eleitoral. Por este artigo ser opinativo, revogam-se as falácias em argumentos em contrário. 

O mais interessante é que tanto PSDB, quanto PT tiveram origem, no movimento de redemocratização, um deles saiu de dentro da USP e outro de sindicatos e hoje ambos os partidos não representam mais nada! Ambos se transformaram em personagens antagônicos em nossa história. E cada um, à sua maneira, se alinhou com o que há de mais podre na política brasileira.  Sou educador orgulhoso de meu ofício. Sei que estou na profissão que é o fiel da balança para a guinada que irá nos libertar de tudo o que nos amarra a práticas arcáicas politicas. E não estou sozinho! O partido NOVO surgiu em minha vida como a esperança! Esperança esta, que aquele austríaco exilado em nossas terras não estava errado e que Simonsen não perdeu seu tempo ao escrever sua receita de como tornar meu país, em um país admirado. Somos um povo maravilhoso, e podemos ser tudo aquilo que podemos ser desde que haja sonhos que podemos ter. Ainda não deixei de sonhar e lutar e espero nunca estar sozinho.

Poupar? Pra quê...
Analfabetos funcionais e leitores disfuncionais, e...

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