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Testes nucleares ainda causam vazamentos radioativos no Oceano Pacífico

Por Galileu

Em 2019 o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o risco de vazamento radioativo em um depósito de resíduos de testes nucleares dos Estados Unidos no arquipélago das Ilhas Marshall, no Pacífico, a meio caminho entre a Austrália e o estado norte-americano do Havaí. Isso porque, entre 1946 e 1996, Estados Unidos, França e Reino Unido realizaram centenas de testes nucleares em ilhas do Oceano Pacífico.

Segundo a Agence France Press, só no Pacífico Central foram mais de 100 testes realizados pelos norte-americanos, dos quais 67 ocorreram entre 1946 e 1958, nos atóis de Bikini e Enewetak, nas Ilhas Marshall. Um desses testes foi da bomba de hidrogênio “Bravo”, em 1954, a mais poderosa bomba detonada pelos Estados Unidos — com potência mil vezes superior à lançada na cidade japonesa de Hiroshima. 

“As consequências foram dramáticas em termos de saúde e envenenamento da água em alguns lugares”, disse Guterres. Além disso, o secretário-geral da ONU contou que se encontrou com a presidente das Ilhas Marshall, Hilda Heine, que também está muito preocupada com o risco de vazamento de material radioativo na área.

No final dos anos 1970, o governo dos EUA coletou solo radioativo de ilhas vizinhas contaminadas e enterrou cerca de 84 mil metros cúbicos (quase 3 milhões de pés cúbicos) em uma cratera. As autoridades cobriram a precipitação com uma camada de concreto de 45 centímetros de espessura — que deveria ser uma solução temporária.

No entanto, o fundo do poço não é revestido e, como a exposição causou a formação de rachaduras na camada, autoridades estão preocupadas com a possibilidade de estarem liberando material radioativo no oceano, uma ameaça que só deve piorar com o aumento do nível do mar e da frequência de tempestades intensificadas pela mudança climática.

Depois que as Forças Armadas dos Estados Unidos se retiraram da região em 1986, eles pagaram o valor de um “acordo completo de todas as reivindicações, passadas, presentes e futuras ” relativas ao programa de testes nucleares. No entanto, muitos argumentam que essas retribuições não foram suficientes aos impactos ambientais e sociais causados por conta dos experimentos militares. 

Operação Crossroads

A Operação Encruzilhada (Crossroads no inglês), foi uma série de dois testes nucleares (um atmosférico, outro aquático) realizados no verão de 1946.

Cada detonação teve potência de 21 quilotons de TNT. O teste chamado Able detonou a uma altura de 158 metros a 1 de julho de 1946. O teste chamado Baker foi realizado a 27 metros abaixo da superfície do mar a 25 de julho de 1946. Foram a 4ª e 5ª explosão nuclear, após o teste Trinity e os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, todos feitos pelos EUA.

Foram os primeiros testes levados a cabo nas ilhas Marshall, e também as primeiras a ser publicamente anunciadas antes inclusive de sua conclusão. Um terceiro teste, chamada Charlie foi anulado devido à elevada contaminação radioativa produzida pelo teste Baker.

Como parte de um total superior a 90 de “navios alvo”, participaram o encouraçado japonês Nagato, o cruzador alemão Prinz Eugen, o porta-aviões estadounidense USS Saratoga (CV-3) e o encouraçado da Classe Wyoming, USS Arkansas (BB-33).

Os testes tiveram como objetivo testar os danos a navios atingidos por detonações nucleares.

O objetivo da detonação da bomba denominada Baker era verificar quantos navios afundariam com a explosão. O teste foi mais bem sucedido que o realizado com a bomba Able: a detonação debaixo da água criou uma onda de choque que rompeu os cascos dos navios. A bomba foi fundeada e detonada a 27 metros abaixo da linha d’água. O navio anfíbio LSM-60 estava no ponto zero e nenhuma parte identificável desta embarcação foi encontrada; presumiu-se ter sido o navio vaporizado pela bola de fogo.

Tal como ocorreu depois da detonação da Able, todas as embarcações em um raio de um quilômetro foram seriamente danificadas – desta vez, foram atingidas por baixo. Depois do teste, procedeu-se à descontaminação da área, o que se provou ser mais difícil desta vez: apenas cinco navios ficaram livres da radiação; os demais tiveram que ser afundados. O alvo real: 252 navios de guerra antigos, 156 aviões e um exército de 5,4 mil ratos, bodes e porcos que circundavam o atol.

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